O decálogo da provação PDF Imprimir E-mail

“Meu filho, não desprezeis o castigo do Senhor, nem desanimeis se te repreende; pois o Senhor castiga a quem ama.” (Hb 12,5-6)

É a página mais bonita que já foi escrita sobre o tema do sofrimento. O autor acrescenta: “É para vossa correção que sofreis, é como filhos que Deus vos trata.  Pois, qual é o filho a quem o pai não corrige? (...) Deus, porém nos corrige em vista do nosso bem, a fim de partilharmos a sua própria santidade. Na realidade, na hora em que é feita, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor; depois, porém, produz um fruto da paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados”.

Podemos enumerar um decálogo da provação:

I. O tempo da provação não pode nos assustar, mas é bom que nos encontre preparados. A provação não é uma força cega que cai em cima de nós como uma pedra.

O cristão não pode aceitar a provação como algo que não faça parte do plano de Deus na sua vida.

II. O cristão vê atrás da provação o vulto de um Pai que “conta os nossos cabelos”, e é amor e onipotência infinita.

III. O cristão não tem a presunção de entender tudo numa provação: está  satisfeito e feliz em entender algo, o tanto que basta para ter um pouco de luz e de força para continuar na sua luta.

IV. O cristão acredita e aceita que Deus traçou um plano de santidade para cada um dos seus filhos – o que não acontece sem a provação; mais cedo ou mais tarde, entende que, na vida, os momentos de dor são sempre momentos de graça, mesmo que compreenda isso somente quando o momento da provação passa.

V. O cristão (na provação) tem um ponto de referência que lhe transmite força: o olhar de Cristo. Para Jesus, o tempo mais fecundo da sua vida não foi o de Nazaré, mas o sofrimento e o drama do Calvário.

VI. O cristão percebe que o tempo da provação parece sem fim e esmagador; foi assim também para Jesus. Mas a oração deu-lhe a força de carregar a cruz até o Calvário, aceitando a vontade do Pai até o fim.

VII. O cristão sabe que Deus manda a cruz, mas também manda o Cireneu, que ajuda a carrega-la. Deus tem os seus caminhos para estar perto de nós nos momentos difíceis e nunca nos abandona.

VIII. Muitas vezes, Deus está ao nosso lado nas pessoas que nos ajudam e encorajam: foi assim para Jesus. A presença de Maria e do discípulo amado transmitiu força para Jesus, quando já não tinha força nenhuma.

IX. Às vezes, no momento da provação, Deus está perto de nós com uma inspiração tão forte que parece estar infundindo em nós uma nova força física.

X. Esta força que Deus nos dá no enfrentamento da dor, Ele quer que seja compartilhada com todos. Santo Agostinho escreve: “Ninguém consegue atravessar o mar deste mundo, se não for agarrado à cruz de Cristo.

Fonte: “O Segredo da Alegria” – Andrea Gasparino