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No quarto Evangelho encontramos estas belas palavras de Jesus:

“Não fostes vós que me escolhestes;
eu vos escolhi e vos destinei a ir e dar fruto,
um fruto que permaneça;
assim, o que pedirdes ao Pai em meu nome,
ele vo-lo concederá.” (Jo 15,16)

Acredito que são João ao descrever este fato à sua comunidade tinha viva esta recordação no seu mais íntimo. Vemos neste relato como Jesus queria que seus discípulos e todos aqueles que seguiriam-no no futuro, compreendessem a essência de sua vocação. Uma vocação à vida religiosa e em particular à vida contemplativa, que a meu ver é um chamado especial. Não pode ser explicado como se explica uma equação de matemática, somente aceitando é que pode ser compreendido à luz de uma verdadeira experiência.

É uma voz silenciosa cuja urgência cria na alma um ardente desejo de conhecer Deus, de estar com Ele e de servi-Lo e de dedicar-se inteiramente e totalmente ao Pai de amor que Jesus nos revelou. Não é algo que a alma decide simplesmente, é uma aceitação feita a partir a eleição de Deus, isto é, da Sua escolha, isto após um minucioso discernimento da Igreja. Desta forma, se torna um gesto de amor por parte da alma e uma efusão de amor misericordioso por parte de Deus.

A vida monástica é um encontro com o Deus vivo. Às vezes esse encontro vem precedido por uma espécie de angústia que a alma passa ao fazer de conta que não está escutando, ou não quer sentir o movimento que Deus está fazendo no seu íntimo, daí temos como exemplo a figura de Jonas, que correu do chamado de Deus e foi numa direção totalmente oposta daquela que Deus tinha para ele, tentando assim não responder ao seu chamado. Às vezes isso acontece porque o mundo tem nos condicionado a crermos somente naquilo que vemos e não nos aventurarmos ao desconhecido.

Na passagem acima citada, Jesus faz o convite a duas coisas: “ir e dar frutos”. Este ir supõe uma mudança de lugar, poderíamos pensar numa obra missionária, porém, mais que uma mudança de lugar ou extrínseca como a chama alguns mestres de espiritualidade. Por outro lado devemos pensar também numa outra espécie de mudança, aquela que raramente se percebe a olho nu ou em primeira instância. Esta mudança é aquela intrínseca, mudança que leva a pessoa a ter uma radical transformação de si mesma. A vocação não nos pede somente que deixemos nossa família e amigos e doemos nossos talentos, posses, tempo, mas, sobretudo que todo nosso ser seja colocado a disposição do reinado de Deus, portanto, nós mesmos sem reservas. Por que Jesus lembrará aos que ele chamou:

“Asseguro-vos que, se o grão caído na terra não morrer, ficará só; se morrer, dará muito fruto” (Jo 12,24)

Quando esta doação de si mesmo é levada a sério, Deus por outro lado, nunca nos deixará no vazio, isto é, sem um retorno por aquilo que estamos fazendo e sendo Ele o autor do chamado, sabe muito bem daquilo que os seus precisam para bem desempenhar sua vocação. Certa vez o apóstolo Pedro, ao ouvir Jesus admoestando um jovem a respeito da vida eterna fica intrigado e não exita em perguntar:

“Vê, nós deixamos tudo e te seguimos. Que será de nós?” (Mc 10, 28)

Jesus não estranha e nem rechaça a pergunta de seu discípulo, conhecendo a bondade do Pai, Jesus lhe responde:

“Todo aquele que por mim deixar casas, irmãos ou irmãs, pai ou mãe, mulher ou filhos, ou campos, receberá cem vezes mais e herdará vida perpétua” (Lc 18, 29-30)

Uma vocação é um dom do princípio ao fim, uma chamada a elevar-se acima das coisas deste mundo e demonstrar através do testemunho de vida que há algo melhor por vir. Os que foram chamados a dar este testemunho não estão desprovidos de amor, consolo ou alegria. Somente que estes dons serão encontrados em um nível superior e duradouro. Nossas personalidades não serão destruídas com um ato sacrifical de piedade, ela será sim, desenvolvida e harmonizada mediante a entrega, o abandono e a confiança no agir da graça de Deus que se derrama constantemente nos seus escolhidos. A graça constrói a natureza, desta forma os chamados por Deus a serem santos nesta maneira especifica de viver, encontrarão sua real identidade, plenificarão suas vidas e amarão sem limites, sendo assim estarão livres das famosas, ataduras ou escravidões. Os escolhidos de Deus não devem de forma alguma temer em conhecer a si mesmos, pois o autoconhecimento os faz mais humildes e sábios para dar conta de quanto necessitam de Deus como Salvador e Senhor. Esta tomada de consciência fará com que a liberdade, porta aberta para santidade e entrada no Templo de Deus, se desabroche paulatinamente.

Posso dizer que este autoconhecimento e um desenrolar positivo da santidade. Os chamados por Deus a serem religiosos, são obrigados a viverem a vida cenobitica sob a guia de uma Regra e a oferecer sua mais preciosa posse, a faculdade da sua alma, mediante os votos de Pobreza, Castidade, Obediência. E de modo específico a vida monástica como é vivida na Fraternidade Monástica dos Discípulos de Jesus, os monges e as monjas assumem um quarto voto o de Humildade, configurando-se totalmente a Jesus seguindo o modelo de Maria, serva humilde.

Os votos como muitos pensam não são correntes que nos prendem, acredito que é o contrário, são chaves que nos abrem as portas para a liberdade, não são coisas sacrificadas, mas dons recebidos, não são privações que deformam mas, sim liberdade de entrega, não é uma dureza penitencial, mas é o incenso que sobe amavelmente até o trono de Deus. Para nós da Fraternidade eu entendo estes quatro votos como anéis, cada um mais formoso do que o outro que sempre vão crescendo no seu valor e no seu brilho, conforme vão sendo vivenciados. Destarte, vamos também refletindo cada vez mais sobre a Fonte de onde surge que é sempre Deus.

Não podemos ser ingênuos, alguns ao lerem este artigo poderiam pensar, é muito bonito tudo isso, porém, são teorias, pensamentos desenvolvidos e colocados em palavras através da escrita. Bem, depois de ter percorrido esta estrada formativa e na qual ainda procuro trilhar, não posso deixar de afirmar que não são poesias tudo isso, é um ideal possível de ser vivido. Diria mais, é uma obrigação de todos aqueles a quem Deus chamou a vida religiosa. Os religiosos têm de ser uma luz na obscuridade, uma cidade no cume da montanha, para que todos os homens vejam e se abrem a Deus. É para a Glória d’Ele que devem brilhar e não para a sua própria glória. Devem ser verdadeiros neste mundo onde a falsidade não somente é cultivada como virtude, mas propagada como elemento essencial para alcançar a felicidade. Verdadeiros consigo mesmos, com a Igreja que os acolheu e com todo o povo de Deus.

Todos aqueles que se consagraram são enviados especiais de Deus a este mundo tão caótico e sem valor moral como temos presenciado. Os religiosos são mais que operários na vinha do Senhor, são amigos como dirá Jesus, que devem estar ligados ao Senhor da vinha por este estreito vínculo da amizade. Amizade que tem um forte empenho no ato de interceder. Este ato é mais importante que qualquer outra função, pois diz o Senhor:


“Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e acontecerá em vós.” (Jo 15,7)

E depois o Senhor conclui:

“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos se fazeis o que mando. Não vos chamo servos porque o servo não sabe o que o seu senhor faz.” (Jo 15, 13-15)

São João também no seu evangelho deixou claro para sua comunidade qual era à vontade de Deus em seu Filho. Diz Jesus:

“Meu Pai será glorificado se derdes fruto abundante e fordes meus discípulos.” (Jo 15,8)

Nós religiosos, e aqui penso em todos aqueles que se consagraram a Deus, seja através dos votos ou do Sacramento da Ordem nos seus diversos graus e ainda todos aqueles que serão chamados a esse estado de vida, devemos ter em conta a importância deste dar fruto, porque antes que os distribuamos aos nossos próximos, precisamos tê-lo e valorizá-lo, pois não podemos dar aquilo que não possuímos. Não é suficiente sermos servos para distribuirmos os bens do Senhor, a Palavra diz-nos que devemos ser discípulos, isto para que ajudemos os coxos, cegos, surdos e todas as classes de enfermos a sentar-se à mesa do Senhor, não para uma simples refeição ou esmola temporal, mas para um banquete contínuo com alimentos saudáveis que fortalece a alma permanentemente.


 

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